Academia Bacalhau Costa do Estoril

A NOSSA HISTÓRIA -  Casa da Ponte, em Manique

 

A NOSSA HISTÓRIA


Casa da Ponte, em Manique

Tudo começou aqui, em 1995
 


"Depois do regresso de Africa, os primeiros tempos de adaptação a Portugal não foram fáceis".

Só quem passou por aquele Continente e ali viveu durante uns tempos é que pode verdadeiramente apreciar quão grande é a mudança de usos e costumes, de ambientes e da própria maneira de viver e de ser. Não e, portanto, de estranhar que os “africanos” se procurem mutuamente, para, em conjunto, reviverem o passado recente. A Academia do Bacalhau, com as suas raízes, e o seu “modus vivendi”, foi, para muitos de nos, o escape que nos ajudou no recomeço de uma nova vida. Ali encontramos velhos amigos, gente com quem facilmente nos identificávamos, que conhecíamos e nos conheciam.

Quem estava a morar ao longo da “linha”, ia de vez em quando aos almoços da Academia de Lisboa. Porem, a ida a Lisboa não se tornava fácil. Se íamos de carro, era o tráfego da auto-estrada, as portagens, o trânsito em Lisboa, o estacionamento, e tudo o mais que se nos deparava, de maneira que tinha mesmo de haver muito boa vontade para se almoçar com os amigos. –“Dia de almoço, dia perdido”- , diziam aqueles que ainda exercem a sua actividade.

Essa foi, primordialmente, o que fez surgir em alguns de nos, daqueles que se deslocavam de vez em quando a Lisboa, a ideia de formarmos a nossa própria Academia. A ideia tomou forma, a mensagem foi passada de uns para os outros. Todos os que vivíamos deste lado aderimos á ideia que para nós se tornava tão conveniente. O telefone estabeleceu o contacto, criou o circuito. Restava apenas dar corpo àquilo que todos nos pretendíamos.

PRIMEIRA REUNIÃO

Foi no dia 11 de Março de 1995 que nos reunimos no que seria o nosso primeiro almoço. O local escolhido, propriedade também de um ex-residente em Joanesburgo, foi a Casa da Ponte, em Manique de Baixo. Ali se congregaram os Compadres Carlos de Oliveira, Carlos Machado, Carlos Demétrio, João Rosa Pinto, Norberto Madeira, Firmino Silva, Jorge Simmons, Manuel Amaro e Pedro Amaro. As normas , já as conhecíamos. Nada era novo para nós, porque existia a experiência de muitos anos. Assim, para alem do agradável convívio, a reunião serviu apenas para que fossem votados os corpos-gerentes da futura Academia, e para que fossem tomadas as decisões necessárias à nossa apresentação como Academia no próximo Congresso, que seria o do Porto. Das nossas intenções demos conta por carta datada de 11/04/95, enviada em mão própria à Academia-Mãe, como mandam as normas, sendo seu transportador o Compadre Ramiro Jorge, ao tempo Presidente da Academia-Mãe.

Foi este Compadre que, conhecendo bem o grupo proponente e o ambiente académico que se vivia já então no nosso seio, onde já estivera e partilhara dos nossos almoços-convívio, se prontificou a advogar a nossa causa.

Nessa carta dava-se conta também de como tinha ficado constituída a Direcção provisória da Academia, a saber: como Presidente Provisório, Carlos Oliveira, tendo como vices, Norberto Madeira e Firmino Silva. Como Secretários ficaram Carlos Machado e João Rosa Pinto, tendo Carlos Demétrio Silva sido designado para o cargo de Tesoureiro. Jorge Simmons foi o escolhido para Relações Publicas, e tanto Manuel como Pedro Amaro ficaram como Vogais.

Para surpresa nossa, começamos a ouvir rumores de que a nossa intenção estava a ser bastante criticada – imagine-se – não pelos interessados, que, neste caso, seria a Academia de Lisboa, mas, pelos compadres da Academia-Mãe, que se insurgiram contra a criação de mais uma Academia como se isso fosse alguma anomalia, citando todos os inconvenientes possíveis e imaginários que a nossa abertura poderia acarretar.

Sabendo antecipadamente que a propagação do ideal das Academias, onde quer que existisse um grupo de portugueses, sempre foi o lema das mesmas, não compreendíamos a razão de tanta contestação, e decidimos continuar, como se nada tivéssemos conhecimento. Entretanto, uma nova carta foi endereçada à Academia-Mãe, em Joanesburgo, com data de 13 de Julho de 1995, onde dávamos conta da nossa intenção de respeitar as normas e explicamos as razoes básicas que nos levaram a criar esta Academia, afinal, as razoes descritas no início deste artigo.

Mais explicávamos que tivéramos o cuidado de efectuar os nossos almoços-convívio quinzenalmente, ás quintas-feiras, intercalados com os almoços da Academia de Lisboa, dai o facto de não poder haver competição com aqueles, mas sim, uma adição aos mesmos. Pedíamos ainda que o nosso pedido fosse aceite, de maneira a poder ser ainda aprovado no Congresso a realizar no Porto, nos dias oito, nove e dez de Setembro daquele ano.

Entretanto, as nossas reuniões quinzenais na Casa da Ponte continuaram, tendo cada um de nos a missão de comunicar o facto a todos aqueles que conhecíamos, e principio dando preferência aos que tinham passado pela África do Sul. – Porém, já alguns de nos conhecia pessoas que reuniam o perfil de futuros compadres e, como resultado, o grupo foi engrossando.

Foi um dos membros desse ainda pequeno grupo, o Compadre Ribeiro Gomes, que ofereceu a sua casa de campo nas imediações de Santarém, para ali se fazer uma petisqueira e assim podermos divulgar a Academia e os seus princípios junto dos convivas, que perfizeram um total de … trinta!

Chegou-se à altura em que já não cabíamos na pequena sala de jantar da Casa da Ponte, e assim, com muita mágoa nossa e do casal Silva – que ficaria ligado à Historia da nossa Academia – tivemos que procurar lugar mais amplo, que pudesse albergar aquele grupo de novos e velhos Compadres a engrossar de almoço para almoço.

Coincidiu esta mudança com a abertura da Casa do Cajica, em Carcavelos, propriedade do Compadre Jorge Simmons, e durante alguns meses foi este o sítio do nosso encontro quinzenal.

Contudo, com o aumento constante do número de compadres, uma vez mais tivemos que mudar de poiso, e tendo chegado a acordo com a INATEL, ali reunimos durante alguns meses. Havia apenas um inconveniente, - falta de privacidade! As nossas praxes, de Badalo e “Gavião do Penacho”, surpreendiam aqueles que almoçavam no espaço contíguo, suscitando curiosidade e os mais variados comentários, e, à saída éramos olhados como se de aves raras se tratasse. Tudo isso nos levou a procurar um novo poiso, tendo chegado a acordo com o Hotel de Inglaterra.

A partir de então foi o local a base dos nossos convívios, e onde permaneceríamos até a data da nossa inauguração oficial, em 28 de Dezembro de 1996, não havendo, por parte de todos os compadres, qualquer tipo de reclamação contra o que quer que fosse.

Para traz tinha ficado a nossa participação no Congresso do Porto, onde a intervenção do nosso Presidente Carlos Oliveira, suscitou momentos de alta tensão pois, embora não tivéssemos infringido quaisquer das normas vigentes nas Academias e tivéssemos participado antecipadamente ao Congresso a nossa pretensão, houve quem não aceitasse que a nossa proposta de abertura ali fosse lida.

Mesmo assim, devemos ao Compadre Ramiro Jorge – nessa data ainda no exercício da sua Presidência da Academia-Mãe, - e à sua coragem, a leitura desse documento; porém, esse facto não foi suficiente para que a nossa abertura fosse aprovada nesse ano. No ano seguinte, estivemos representados no Congresso de Durban, e ai já a nossa presença, - representada pelo Compadre João Rosa Pinto, - foi premiada com a chamada para a mesa do Congresso. Uma vez mais, ali foi defendida a nossa causa, tendo sido aprovada oficialmente a abertura da Academia da Costa do Estoril para esse ano. Antecipando a possibilidade de a abertura da Academia se vir a verificar, como veio, no Hotel Palácio, do Estoril, ali decidimos efectuar alguns almoços para nos habituarmos ao pessoal e ao ambiente. Num desses almoços, tivemos a grata presença do Presidente da Câmara de Cascais, José Luís Judas, bem como do Comendador Horácio Roque, que à data já sabíamos ir ser um dos nossos patrocinadores para a Festa de Inauguração.

Houve uma corrente favorável as ferias de Verão seguinte para a abertura, tanto mais que sabíamos ser essa a época em que muitos compadres da Africa do Sul se encontravam em Portugal. Por azar nosso, todas as datas que propusemos aos hotéis da zona do Estoril, foram por estes recusadas, uma vez que se encontravam cheios. De adiamento em adiamento, e, para evitar que mais um ano-calendário avançasse, decidimos ir para a única data aberta, em fins de 96, tendo o Hotel Palácio sido o eleito para a festa que nos propúnhamos.